domingo, julho 26, 2009

Profissionais Descartáveis

Não sei pq sempre os meus momentos de inspiração para escrever são no domingo de manhã.

Aproveitando esse em especial, já que são 8h45 a.m, eu estou doente pra caramba e bem mal-humorada, vou fazer um desabafo em relação ao fato ocorrido recentemente comigo e que até agora, não engoli.

Como o título, a pergunta é: o quanto você é descartável como profissional?

Pergunto isso pq durante exatos 1 ano e 3 meses, dediquei a minha vida a uma empresa multi nacional que tinha estrutura quase zero para fazer oq estava propondo aos seus clientes tanto que não foi todo mundo da equipe (que equipe?) que teve estômago para aguentar o tranco. Por conta disso, quem ficou lá batendo no peito e falando "é nóis", fui eu. Virando noites, perdendo amigos, saúde (mental e física), brigando com os colegas de trabalho (para depois vc descobrir que alguns desses colegas queriam que vc se fodesse mesmo), e toda a putaria como manda o protocolo do stress.

Ai, resolvem colocar mais peões nesse tabuleiro...

O trabalho fica relativamente mais humano e você começa a enxergar que há vida lá fora. Mais conhecida como "vida pessoal".

Ah Ludimyla, oq vc queria? Um prêmio?
Na verdade não e mesmo assim ganhei, dois pra ser mais exata.

Só que prêmio não enche barriga e então, fui atrás da "plata".

Tentei a abordagem clássica: "Ei, vc ai... me dá um dinheiro ai... me dá um dinheiro ai..." - e não funcionou. Então parti para uma abordagem mais incisiva: então, tem um lugar ali que vai me pagar o que eu quero pq reconhece a profissional q eu sou. Vai rolar um aumento ou nem?"

Juntou presidente, vice-presidente, CEO e olha, não é que o discurso politico deles me convenceu de que eu era "importante na engrenagem que faz a empresa"?

Discurso muito bonito é claro, mas que se resumiu a: nesse momento de crise não temos a grana que você quer agora.

Não sei pq me comovi (na verdade eu sei) e acreditei qdo me falaram que eu ia ser a primeira da fila a ser recompensada qdo houvesse a oportunidade pq oq eu descobri no final, foi que eu iria ser a primeira da fila no corte de cabeças mesmo.

Tem uma bucha cabeluda pra kct?? Dá pra Lud que ela resolve.

Tem cliente gritando e projeto enroscado? Dá pra Lud que ela resolve.

O GP estrilou e pediu demissão? Fala com a Lud que ela toca os projetos dele.

Tem que cortar alguém da equipe de projetos? Chuta a Lud pq ela não é legal com os coleguinhas de trabalho.

E foi isso mesmo que eu ouvi como "justificativa" pelo meu literal "kick-off".

É ai que você se pergunta: puxa, e aquele discurso bonito que o CEO fez para você dizendo que vc era a parte importante da equipe e que se você saísse eles não teriam como contratar alguém como você? Que vc seria a primeira da fila da recompensa pelo sacrifício de ficar mesmo tendo uma proposta de ganhar mais? Que vc levou os projetos da agência nas costas por um bom tempo antes de ter uma equipe?

E é nesse momento que você começa a ver a legenda:

- vc era a parte importante da equipe e que se você saísse eles não teriam como contratar alguém como você = não tem profissional no mercado que aceite trampar o tanto q vc trampa pelo salário que você ganhar.

- Que vc seria a primeira da fila da recompensa pelo sacrifício de ficar mesmo tendo uma proposta de ganhar mais = e, pornão ter otário o suficiente para trampar como vc trampa ganhando o que você ganha, fica ai com a falsa promessa que um dia vc vai ganhar mais.

- Que vc levou os projetos da agência nas costas por um bom tempo antes de ter uma equipe = vamos fazer um agradinho para essa tonta calar a boca.

Radical? Anti-ético?

Não... Ácido talvez. Um simples desabafo desabafo. Até pq, eu consegui provar por A+B a teoria do "Se não quer, tem quem queira" pelo simples fato de ter passado apenas 19hrs desempregada.

Outra coisa que se descobre qdo acontece esse tipo de situação é quem estava torcendo para isso acontecer. Pq? Não sei... Inveja? Provavelmente não... Mas ego? Isso eu tenho a certeza que sim. Talvez tenha sido por essas e outras que minha cabeça já estivesse na guilhotina.

Falou grosso comigo? Deu indiretinha? Meteu o nariz onde não era chamado? Poha, eu não tenho sangue de barata e não sou paga para lamber o saco de ninguém, esse não é o meu trabalho.

Ser falso, dar sorrisinhos fúteis, fazer o social... Isso me embrulha o estômago e toda vez q eu sou obrigada a fazer isso (normalmente para o cliente que é quem verdadeiramente paga o meu salário), eu tenho vontade de tomar um banho depois de sair da reunião pq eu me sinto suja.

Precisei vomitar esse desabafo pq até hoje eu não acreditei em uma só palavra do discurso medíocre que fizeram justificando a minha demissão pq, já que estavam chutando mesmo, não custava nada falar a verdade não é mesmo?

3 comentários:

Jessica disse...

so uma coisa: foda
ou duas: paputaquepariu

;***** tia

Anônimo disse...

Achei seu blog interessante. Mas como não tenho um, meu comment vai ser anônimo.
Entendo totalmente seu desabafo, pois passei por coisas parecidas: nós, os responsáveis e que realmente acreditam no valor do trabalho, pois está na essência de ser competente e eficaz somos vistos exatamente iguais como os manés que não fazem porra nenhuma e vão para o trabalho apenas pra não ter que pagar internet em casa ou numa LAN house. Ou seja, enquanto vc dá seu sangue e suor para as coisas funcionarem na empresa, neguinho está brincando de twitter ou orkut e ganha o mesmo que vc, em $$$ ou valor! Por isso cansei de dar murro e ponta de faca e não me estresso mais ou debilito minha saúde. Mas isso não quer dizer que deixei de ser responsável e que não saiba o meu valor!

C.M.

Anônimo disse...
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